sendemail -s 'Medicinas' sssssssssss@uol.com.br <<'---' Oi Sssss, Gostei muito da sua resposta, e' muito mais lucida e honesta do que a maioria das que eu costumo ouvir das pessoas por aqui que acreditam em alopatia e ciencia. Eu comecei a me interessar por homeopatias e baratos afins quando eu tinha uns 15 anos e tinha uma sinusite que os alopatas nao conseguiam curar de jeito nenhum; eu fui parar num homeopata por sei la' que sacacao que eu tive na epoca (mesmo com 80% da minha cabeca dizendo que aquilo era magia, macumba ou charlatanismo) e num instante eu estava bom, e alem disso eu vi que os homeopatas me viam como uma pessoa com todos os aspectos, fisicos, psicologicos e etc, interligados, ao inves de me verem so' como uma maquina com defeito, uma pilha de doencas que precisavam de uma lanternagem... Uma coisa que eu acho muito simpatica na homeopatia (tou falando na unicista, e pelo menos da linha da minha homeopata atual -- sei que outras linhas tem abordagens bem diferentes, e a linha pluricista me lembra exatamente as coisas que eu nao gosto da alopatia) e' que a gente se torna responsavel pela propria saude; o modo da gente pensar na gente mesmo, e o modo da gente se relacionar com o mundo, vai determinar como e' que o corpo funciona e como e' que ele somatiza, e gente vai tentando ter uma relacao mais direta com o mundo, em que menos lixo fique acumulado. Eu teria muito mais coisa pra dizer sobre isso, mas nao sei muito bem em que ordem; vou lancar so' uns topicos e um dia eu arrumo as ideias melhor. Eu nao tenho confianca total na homeopatia. Nao, eu considero ela ate' bastante limitada, e estou sempre aberto pra procurar outras coisas quando eu preciso. So' que pra mim a alopatia e' tao absurdamente limitada que chega a ser patetica -- claro que ela e' A COISA pra casos graves, tipo os pacientes arrebentados que aparecem no seriado ER, cancer, sei la' o que mais... mas boa parte do barato da homeopatia unicista e' preventivo, pra gente ir ficando cada vez mais saudavel (e eles tem uma nocao de saude que eu acho muito bacana) e ha' varios anos que eu nao tenho nada fisico mais grave do que caspa, afta ou resfriado, e mesmo essas coisas, quando eu tenho, eu consigo sentir como o corpo somatizando determinados conflitos internos meus. Ou seja, as doencas me trazem sacacoes. A minha mae tinha uma "depressao" (tou usando aspas porque o termo ta' bastante errado, alias o que ela tinha nao se encaixava em nenhum diagnostico usual) de anos, e os tratamentos com remedios, que ela tava fazendo em paralelo com psicanalise (ela e' psicanalista e faz analise ha' muuitos anos) tavam deixando ela cada vez pior, ela ja' tava com a capacidade de concentracao pessima, dificuldade de se movimentar e outras coisas, e quando ela topou se tratar com a minha homeopata tambem, e `as vezes com um acupunturista -- a principio sem parar com nenhum dos outros tratamentos -- ela comecou a melhorar gritantemente, e praticamente ressucitou. Outras duas pessoas proximas minhas passaram a ficar muito menos desconectadas com o mundo em torno delas depois de comecarem a se tratar com homeopatia (com outros medicos): o meu pai e a minha ex-namorada. Eu nao acho que baste dar uma droga pra uma pessoa melhorar, e acho que o repertorio de drogas nunca vai ser suficiente pra tudo; o organismo pode precisar ser preparado pra reagir bem a drogas, e alem disso o ideal seria que a pessoa pudesse secretar por si mesma as drogas que precisa. Mais sobre isso depois. Eu nao acho que a gente deva confiar cegamente numa ciencia tao recente quanto a medicina -- e que nem funciona tao bem -- so' porque "os numeros nao mentem". Alias, existe ate' um livro bastante famoso chamado "how to lie with statistics", e a gente nunca sabe se a gente se encaixa na maioria, e, pra ser bem radical, nao existe nenhuma *prova* de que o universo se comporte de acordo com estatisticas e leis fisicas -- apenas evidencias, e quando se trata de medicina as evidencias sao menos cabais ainda. As pessoas acreditam nisso e pronto; elas deveriam ter consciencia de que elas fizeram a escolha de acreditar. Elas deveriam ter consciencia de que podem estar usando a crenca em leis fixas, imutaveis, que vao sendo desveladas aos poucos pelos nossos guardioes, os cientistas, como muletas. Nao que haja algum jeito de viver sem muletas, mas um pouco de honestidade, e de pingos nos "i"s, faz bem. Alem disso eu tive que me acostumar com o fato de que eu sou sempre a excecao das estatisticas. As coisas que eu quero nao batem com as da maioria; eu nao me encaixo em nenhum dos grandes grupos em questoes de sexo e genero, e nao consigo simplesmente me apropriar de um discurso ja' existente e dizer "isso aqui descreve os meus desejos"; os tipos de musica, literatura, etc que me fascinam, e que direcionam a minha vida (porque afinal os "equivalentes orgasticos" do Reich, como arte e criatividade, funcionam muito melhor comigo do que sexo), sao bastante underground; e parece que so' eu e alguns misticos temos uma necessidade tao grande de ter empatia com todas as pessoas em torno de nos, de nao viver centrado em relacoes de dominacao... sei la', cara, eu nao me encaixo bem no mainstream dessa sociedade materialista e dinheirocrata/sexocrata/statuscrata, mas tenho visto que enquanto eu circulo entre os meus "alternativos" favoritos eu tenho muito a trocar com eles, e me sinto fazendo a minha parte no mundo, e possivelmente agradando os deuses o suficiente -- e se eu levar uma vida justa o suficiente eu daqui a alguns anos posso tomar outro acido e passar pra um outro patamar de consciencia, como aconteceu com o que eu tomei em 97, que me deu o assunto da minha tese, certas conviccoes sobre software livre, e a sensacao muito util de que o mundo nao e' um caos nem uma conspiracao, muito pelo contrario. > Mas as pessoas tem o direito - tambem - de nao desejar tratamento. O > medico tem que respeitar isso. De fato, eu escolhi nao me tratar; e faco o possivel pra que as pessoas respeitem o caminho que eu estou tomando, e se possivel ate' se interessem pela minha posicao e se aproximem pra trocar experiencias (alias, o mundo seria muito melhor pra gente como eu se mais pessoas admitissem que estao insatisfeitas com os caminhos prontos e escolhessem os seus proprios caminhos). Muito pouco da minha atitude foi realmente inventado por mim, eu principalmente garimpo pequenas coisas que eu percebo por ai' e me aproprio delas aos poucos. Ficou meio grande, ne'? Sua vez, entao. Um abraco, Edrx http://angg.twu.net/test.html <-- leia e pasme http://angg.twu.net/eev-0.90/README <-- roda o demo, po^ P.S.: coitado do Jack, voce leu exatamente um artigo sobre ele na Revista de Domingo que ele teve um treco quando viu, porque tinham feito uma entrevista com ele num tom totalmente diferente, depois pegaram os pontos mais intimos e secretos do que ele tinha tido e esculhamabaram. P.P.S.: as mensagens tao vindo direto, nao tao anexadas nao. ---