sendemail -s '...!!!' sssssssssss@uol.com.br <<'%%%' Oba, tamos comecando muito bem. Serio. > On Tue, Sep 25, 2001 at 03:33:13AM -0300, Eduardo Ochs wrote: > > Oi Sssss, > > > > Cara, eu nao tenho mais saco pras pessoas que fazem merda e depois se > > desculpam dizendo "hahaha, eu sou assim mesmo"... se humor gaucho e' > > Quando eu vim morar aqui, eu aprendi muito com brincadeiras. Eu vi > que elas podiam ser um jeito de dizer a verdade sobre você, fazendo > você rir ao mesmo tempo. Batata, `as vezes brincadeiras sao assim; e `as vezes falar a serio (seja la' o que isso queira dizer, ja' que pode ser de milhoes de maneiras) tambem e' assim. Aqui no Rio -- que, concordo totalmente, e' uma cidade pessima em termos de qualidade psicologica de vida -- as pessoas tem bastante dificuldade de falar a serio, e elas tendem a achar que so' se pode falar a serio fazendo cara de serio... eu tento juntar as duas pontas e encontrar um modo mais ludico de falar a serio. > Acho que isso não tem a ver com o local geográfico necessariamente, > embora eu ache - e aqui eu não quero ofender ninguém - que a > sociedade gaúcha é mais saudável, porque não tem __metade__ das > atrocidades desumanas que são cotidianas aí no Rio. Aqui, em 5 anos, > vi apenas um assalto de ônibus. Tudo isso se reflete em números. > Os pobres que atendo aqui, eles têm assistência médica. Eles tem > escola. Não são aqueles vampiros mortos-vivos sedentos de sangue que > eu via por aí. > > A sociedade carioca é notoriamente patológica, e eu não gostei e caí > fora. Vocês que se explodam, no meio do tiroteio...No mais, fiquem > com a Globo e as praias, que vocês só sabem jogar merda nelas e > assaltar os turistas idiotas (que nunca mais voltam), que foram > enganados numa agência de viagem... > Não se desculpe. > Viva sozinho. Pode deixar! Nao tou me desculpando, e, bom, nao tenho vivido sozinho, mas tenho exercitado por aqui um tipo de relacao que muita gente considera impossivel: sem nenhum dos dois lados fazendo concessoes. E funciona. > > Pelo visto voce nem desconfiou 1) que eu tava gastando um tempo que eu > > nao tinha pra te mostrar uma coisa que eu considerava importante, 2) > > que as suas piadas e as suas dispersoes so' tavam sendo engracadas pra > > voce. > > Se eu não tivesse visto, eu não teria me flagrado e me desculpado. Ok. > > Eu resolvi me "marginalizar" ha' mais de 5 anos, caindo fora dos > > grupinhos dos "homens normais", > > Pra mim, você rotula as pessoas. Não existem "grupinhos de homens > normais", exceto num sentido estatístico, estando você num dos > extremos da curva. > Será que você permanece rotulando as pessoas?!!! Eu nao penso em termos estatisticos (que nao me serviriam pra nada) e sim em termos estereotipicos/arquetipicos: eu tenho uma nocao do que e' o "movimento [de uma pessoa] na direcao de ser normal", e vejo isso como uma coisa que atrapalha varios outros movimentos que hoje em dia seriam incrivelmente importantes, mas que andam esquecidos, atrofiados, sei la' o que -- e vejo muitos amigos meus com dificuldade de relacionamento, auto-estima, trabalho, tudo (eu inclusive, claro!:) por causa disso. Eu rotulo as pessoas sim, por motivos operacionais, como todo mundo -- pra escolher se eu compro fruta nessa barraca ou naquela, pra sentir se e' preu puxar papo com o engenheiro, com o mendigo ou com a ascensorista, pra decidir se eu vou no cinema tal ou na festa qual, eu uso os conceitos que eu ja' tenho, que sao meio racionais, meio intuitivos. "Rotulos", enfim. > > porque eu nao aguentava mais a > > dispersao permanente, a aparente alegria das pessoas que vivem na > > ditadura da bobeira, a falta de tato, a mania de cagar regrinha (tipo > > Cagar regrinha? Não, Zico, eu sei o que eu tô falando. Quando a > gente tá na Medicina, a gente vê __muita gente__, de __muito > perto__, e __muita coisa__. > Eu vi gente muito mais torta do que você __jamais__ poderá ser, > querendo ou não. Dentre os pacientes que a gente atende, temos > toda sorte de gente sádica, ou gente vítima de violência em grau > muito mais real do que você jamais sofreu. Gente deformada, gente > arrebentada, que não tem mais nem tecido cerebral bom o suficiente > para cursar matemática, ou ficar queimando o que sobra com > halucinógenos. Gente abobada, retardada, porque quando tu tinhas 9 > anos teu pai te enrrabava todo o dia, e depois batia tua cabeça na > parede. > Por isso, você não me assusta. Você é só um guri mimado... Eu nao quero ser recordista de nada, e mesmo na epoca em que eu tava mais ferrado, em que eu precisava desesperadamente que alguem percebesse o quanto eu tava sofrendo, eu sabia que sob um trilhao de aspectos eu era um privilegiado... e isso tornava a minha chance de receber atencao e ajuda muito menor. A questao nao e' assustar, muito pelo contrario... Repara que voce tem que lidar com muita gente, e por motivos profissionais; alem disso o Estado e os hospitais tem que inventar criterios pra decidir quem e' que precisa mais de ajuda e que portanto precisa ter prioridade. Quanto `a mim, eu sou um nada assumido, em principio sem nenhum poder pra salvar ou ajudar ninguem `a minha volta, a nao ser que eu queira entrar em algum trabalho social voluntario (digamos). Mas mesmo assim eu tenho as minhas questoes eticas internas, como todo mundo, e tenho as minhas ideias, vindas de pensamentos de chuveiro, conversas com os amigos ou reflexoes sobre livros ou outras coisas, sobre o que eu posso fazer alem de observar como espectador as coisas desabando... e, claro, como eu nao posso mudar diretamente o problema da fome, da educacao ou da saude, eu acabo me focando em coisas que eu vejo como bem mais atingiveis: a mediocridade musical recente, a dificuldade das pessoas de terem acesso, perceberem e produzirem o "maravilhoso" (em arte, tecnica, etc), a tendencia a desvalorizar tudo que nao tem a ver com dinheiro, dominacao, violencia ou outros cliches... Bicho, se eu fosse o pai que enrabava o filho e batia a cabeca dele na parede (ou que so' tinha vontade de fazer isso), que que poderia pintar na minha vida que me daria oportunidade de usar a minha energia em outras coisas? E se eu fosse esse pai ou esse filho, como e' que eu conseguiria viver com uma historia como essa, com todo mundo se assustando com a barra-pesada que eu trazia comigo, e ninguem (desculpe se a expressao e' pobre) conseguisse me olhar no olho? Viver aqui no Rio e' interessante porque tem esse super desafio: a gente tem uma sociedade em que muitas pessoas tem historias barra-pesada, e a morte ou a violencia podem estar ali na esquina... e a gente tem que conviver com isso (alias o meu pai passou por campo de concentracao, e passou boa parte da vida depois se fazendo de vitima e descarregando nos outros; acho que eu entendo um pouco dessa historia de viver fazendo ranking de quem e' mais vitima, pelo menos sei que e' uma pessima estrategia). Outra coisa: ver gente nao e' a mesma coisa que entender gente, e e' sempre possivel ver as maiores atrocidades com um olhar de turista. Nao digo que eu consiga ver as pessoas tao "de dentro" tanto quanto eu acho que e' necessario (nem da' pra fazer isso com todo mundo ao mesmo tempo, o mindingo com o olhar vazio, o coronel da PM que quer matar todo mundo, a filha de 7 anos da vizinha recalcada, o entregador de pizza, o cara da sociedade protetora dos animais, o cachorro da rua), mas porra, se voce realmente viu tanta gente assim, e acha que isso te acrescentou alguma coisa, deixe o que voce aprendeu transparecer no modo como voce se comunica, ao inves de so' usar como uma informacao no seu curriculo, pra mostrar como voce e' fodao, como voce ve^ coisas traumatizantes. Nao sou eu que vou te pagar adicional de insalubridade. Sinto muito, Sssss, mas nao colou, o que voce disse ate' funcionou do avesso, eu admito que eu sou pentelho e que eu tou impondo um desafio muito grande, mas as figurinhas do quadro que voce pintou sao uns bonecos de tracinho, nao ta' convincente. Claro, eu tou so' julgando as palavras, de repente na hora em que voce ta' no plantao cada remedio e' receitado com a perfeicao de um Jimi Hendrix tocando "Machine Gun", mas isso eu nao tenho como e nao quero julgar. Acho mais importante lutar por uma sociedade mais humana do que medir tudo por laudos medicos dados por pessoas-maquininhas. > Eu não posso fazer nada se você acha que todo mundo mais adaptado > do que você é um idiota... > O sofrimento, por outro lado, é subjetivo. O fato de um estar lehor > de vida do que o outro não quer dizer qe não sofra. Mas que não > aproveite as chances que a vida lhe deu, e perder-se em > auto-lamentação perpéuta, __qualquer pobretão de favela__ ia dizer > que seria sinal de __pouca__ inteligência. > É por isso que o morro quando desce come o cú de todo mundo, porque > eles sabem disso... Voce esta' interpretando os meus restos de vontade de me auto-lamentar `a luz dos seus rotulos e estatisticas. E -- claro que eu tou pescando significados demais em uma frase curta que voce disse quando tava puto, mas -- a tendencia `a auto-lamentacao e' uma tendencia humana muito comum, presente em todas as civilizacoes que eu me lembro... tou pensando em tragedias gregas, biblia, historias japonesas, chinesas e arabes, so' pra dar uns exemplos. E todo mundo concorda que e' uma tendencia ruim, mas quais sao as suas ideias a respeito de lidar com ela? Extrapolando as entrelinhas do que voce disse, me parece que voce propoe que a gente se patrulhe, rotule determinadas coisas de auto-lamentacao, e de^ porrada nelas, dizendo "auto-lamentacao e' mau, auto-lamentacao e' mau". Pode estar funcionando com voce, que num certo sentido esta' indo la' pro topo da sua hierarquia -- no ponto mais fundo os miseraveis, doentes, incompetentes, sem esperanca; no topo os medicos e cientistas, com acesso a todo o conhecimento, inclusive (e aqui eu tou sendo deliberadamente ironico) todas as discussoes sobre etica... Mas pelo que eu tenho visto esse tipo de auto-porrada nao funciona com gente que nao tem objetivos tao claros, que e' o caso de 90% do Rio de Janeiro pelo menos, e de TODOS os meus (10?) melhores amigos. A gente precisa de algo mais bem enraizado do que um simples dogma ("auto-lamentacao e' mau") pra lidar bem com isso. Outra coisa: na maior parte dos casos -- excetuando-se uns poucos casos em que o odio e o descontrole sao tao grandes em que fica-se imune a perceber a humanidade do "inimigo" -- o morro quando desce come o cu de quem ele quiser comer, dando prioridade, obvio, pras pessoas por quem eles tem mais odio e mais rancor. E porque esse odio e esse rancor? Porque muitas pessoas usam a inteligencia e as condicoes que tem pra se isolarem, se marcarem como diferentes e nao compartilharem nada... voce, exceto pelos momentos em que voce exerce a medicina, talvez seja um alvo preferencial, ja' que quando o morro olha pro seu olho em um segundo ele nao ve um igual, e sim no maximo alguem util. Que que o morro tem pra aprender com voce? Que que voce tem pra aprender com o morro? Quando voce descer do seu pedestal voce vai comer o cu de quem, e como, e porque? Eu adoro o Rio. E' uma cidade pessima, dificilima, mas em termos de gente repensando as suas vidas e' o lugar mais intenso que eu ja' vi (possivel excecao: Jerico' em 1995, com o controle tendo sido recem-passado para os palestinos). Ta' evidente pelo modo como voce fala que voce ta' super orgulhoso de viver num lugar civilizado, e despreza o resto; mas cada vez mais as civilizacoes desmoronam e precisam aprender a lidar com o caos, com populacoes nao-educadas e com ideologias cada vez mais heterogeneas. Aqui a gente nao pensa so' que quem nao segue as regras ta' perdido; a gente ta' de olho em exemplos de todo canto, do Timor Leste se recontruindo com pouca grana e uma forca de vontade inacreditavel, de favelas-guetos de outros paises que melhoraram a sua qualidade de vida com as pessoas se unindo, se desglobalizando e reativando valores tribais, o escambau. Meus parabens (ironicamente) se daqui a quinze anos voce vai ser um medico ou um pesquisador com uma vida bastante decente. Eu nao tenho essas garantias, e eu sei que o meu futuro e' mais promissor do que o de quase todos os meus amigos mais proximos, mas mesmo assim a perspectiva que a gente tem e' de que em quinze anos o morro vamos ser nos, e a gente ja' ta' vestindo a camisa e tentando lutar, do melhor jeito possivel, pela qualidade de vida do morro. E nao e' so' uma questao de mendigar pro governo. > > modo a chave e' FALTA DE TATO: sempre me zoaram e me discriminaram > > porque eu prestava atencao demais nas coisas, e um dia eu enchi o saco > > da historia do "iiiiiiiiiiiihhhh, qualeeeeeeeeeeeeeee', relaxa, cara", > > e aprendi a esganar as pessoas que diziam isso quando elas davam a > > oportunidade, e a cair fora quando elas nao davam. > > Quer dizer, você usa táticas de __covarde__, e se orgulha disso. > Fosse você mais musculoso e saudável, espancaria pessoas que lhe > buzinassem no trânsito, com um porrete. > Quer dizer, perdão a noção de tolerância, e coisas do tipo. E' uma esganacao psicologica em quase todos os casos (houve uma excecao, em 11 de maio desse ano, em que eu meio que esganei de verdade um engenheiro, por desespero). Tem dias que eu passo com vontade de matar quase todo mundo, e' pessimo. `As vezes da' um trabalhao pra fazer esse estado passar. Mas tem muita gente muito pior do que eu nisso, e muita gente que acredita que esse estado e' obrigatorio, e essas pessoas costumam ter ate' justificativas mais ou menos racionais pra esse estado agressivo -- em geral "realismo" ou macheza. E' obvio que essas pessoas costumam ser muito pouco tolerantes. Existe uma crenca generalizada de que o unico jeito de fazer essas pessoas-numa-onda-agressiva perceberem que existe outro jeito de funcionar e' sendo bonzinho com elas, e ficar dando o exemplo; mas eu tenho percebido que elas nunca levam as pessoas boazinhas a serio, nem conseguem prestar muita atencao nelas alias, porque estao muito ocupadas la' com os seus loops mentais. E' preciso dar uma sacudida nelas (nas pessoas agressivas) e faze-las perceber que a gente tambem esta' disposto a defender o direito de funcionar do nosso jeito. Outra coisa: essas pessoas agressivas, os partidos de direita, e o status quo em geral (deixa eu viajar nos rotulos um bocado, e' so' pra poder pintar um quadro mais claro e passar uma ideia) acabam tendo o monopolio da violencia e da escrotice; eles usam porque "todo mundo usa", porque "sempre foi assim", porque "e' necessario pra poder sobreviver"; e quando alguem do outro lado (vou chamar de os "idealistas"; eu ja' avisei que a minha descricao ia ficar quase uma caricatura. Pois bem, um idealista "i") comete algum erro esse "i" e' malhado pelos nao-"i"s, acusado de incoerente, mau exemplo, etc... pois bem, a situacao que a gente tem e' uma especie de "pisa nessa linha se tu for macho" invertido: e' "se voce acredita mesmo no que voce diz voce nao pode fazer nada disso". Ta' na hora de desmontar esse jogo, os rotulos tipo covarde, incoerente, etc quase so tao sendo usados pra manipulacao. > > Resumindo: pode enfiar o seu humor gaucho no cu' e rodar. E pode me > > classificar como quiser -- a minha aura de maluquice e' de proposito, > > por incrivel que pareca. > > Claro que é. Aposto que com o orientador de sua tese, você não é > assim...É só com quem você pode que você mostra sua __verdadeira > face__! Ele conhece as minhas historias e as minhas opinioes. Ele nunca viu nada disso acontecendo ao vivo, mas, engracado, eu nao considero essa minha "verdadeira face", como voce diz, como nada terrivel nem descontrolado -- afinal de contas eu convivo com ela desde quase sempre, e a partir de uma certa epoca eu resolvi parar de trata'-la como algo monstruoso, e ate' lapida'-la um pouco. Algumas perguntas: 1) Voce esta' cheio de facetas sinistras que voce tenta esconder? 2) Como e' que voce acha que as pessoas deveriam lidar com os seus "lados escuros"? Quais sao os principais problemas, na sua opiniao, sobre como e' que as pessoas estao lidando? 3) Voce acha que a verdadeira face de um ser humano e' o seu lado mau? Eu acho que voce foi mais verdadeiro nesse seu mail do que antes, e eu acho isso super legal, mas desconfio que e' um lado seu que voce nao valoriza. > > Da proxima vez ve^ se nao entra no piloto automatico de novo; eu > > adoraria nao precisar ser agressivo. Ja' se foi o tempo em que eu > > achava o maximo brigar com as pessoas, mas agora eu estou tentando > > cultivar mais o outro lado... claro que eu adoro ter umas discussoes > > Que outro lado, cara? Você permanece o mesmo cara com pele exposta > que queima ao toque que eu conhecia, que se recolhe igual a um > tatu-bola, ou que agride igual a uma besta selvagem em pânico... > E você acha que são virtudes. E até seriam, se você não fosse dominado > pela dor... Nao sao virtudes, sao so' caracteristicas... ate' acabou aparecendo uma virtude a partir dai': acho que eu hoje em dia consigo relacoes muito francas com as pessoas, exatamente porque eu nao tenho (pelo menos em principio) nada pra esconder, e nao me horrorizo com quase nada, e acho ate' legal quando as pessoas expoem lados que nao exporiam normalmente (como nos agora, alias). > Você não é um "puro" selvagem, como provavelmente se idealiza, é só > selvagem...Você não tem nada de "puro", você é um poço de amargura e > lágrimas, você tem __pena de si próprio__ e quer que __todo mundo > sente ao seu lado para chorar junto__. > Eu, ao contrário, eu não tenho pena de você... Nao tenho pedigree, nao posso dar carteirada em ninguem (ja' que eu nao sou autoridade em nada e tenho cada vez mais orgulho de nao ser), detesto tiracoes de onda e me patrulho pra caramba pra tirar onda o minimo possivel. A minha selvageria e' sintetica e foi arduamente construida pra tentar tapar buracos de personalidade muitissimo piores. Tenho pena de mim mesmo `as vezes. Tenho mil atitudes chatas e burras. `As vezes eu quero gente pra chorar junto, mas e' raro. Tem sido mais legal deixar que as pessoas sentem do lado e facam o que estiverem mais a fim de fazer. Pena e' uma coisa pessima. > > um control freak assumido e acho mais divertido me sentir responsavel > > por cada micro-efeito de cada virgula que eu digo. Tentar entrar no > > Ok, sinta-se responsável pelo o está tendo que ler até aqui. Yep. > > Buenas salenas, > > Edrx > > > > P.S.: isso tudo vem do meu modo de lidar com os meus desesperos, > > claro. E nao, obrigado, eu nao quero tomar bolinha, eu gosto do meu > > jeito, ele me faz produzir coisas interessantes (exemplo canonico: > > eev) e me poe em contato com pessoas bacanas. > > Você tem direito de ter sua doença. Só não confunda causa e efeito, > talvez você produza __apesar__ dela, e não __por causa__ dela. Nao vejo muita importancia em separar causa e efeito nesse caso. Nao sou cientista, ja' convivi bastante com eles, alias, e acho que a mania de tentar separar sempre causas e efeitos traz determinados vicios mentais bastante ruins. > > P.P.S.: se voce sentir vontade de me dar um diagnostico e um > > tratamento, deixa eu te lembrar uma coisa: quando eu fui dar o meu > > "diagnostico" sobre voce (sem pretensao de ser definitivo, era algo > > que caberia perfeitamente num papo de botequim mais serio) ha' alguns > > mails atras o assunto morreu rapidinho... > > Você não tem treino para dar-me um diagnóstico, Zico. Eu __não > respeito__ seu diagnóstico. Não é tão fácil assim, não é um desfile de > clichês...sobre "os homens normais", e coisas do tipo! Que coisa mais > caricatural e patética ficar reclamando dos "normais". Fixacao em autoridade. :) Cartao amarelo, Sssss: de novo la' ta' voce dando a entender (e' so' um vicio de linguagem ou e' serio?) que voce respeita qualquer pessoa que tenha tido uma determinada formacao, como se as pessoas nao pudessem ter passado nas provas so' com habilidades parciais, ou como se nao pudessem dar uma pirada de vez em quando depois de estarem formadas. E como se gente sem essa formacao nunca fosse capaz de dizer nada de util ou interessante. Voce ta' ficando e' carola. Levo a maior fe' na parte tecnica da sua formacao, mas nao da' pra compactuar com determinadas atitudes suas, e observa'-las em silencio. O mundo ta' mal, nao da' pra deixar as pessoas virarem tecnicos com viseiras estreitas, e' ruim pra essas pessoas e ruim pro resto do mundo tambem. > As pessoas são foda? Ás vezes são. Umas são e outras não. Uma mesma > pode ser assim num dia, e noutro não. Mas qual é o __basal__ dela? > Você gosta dela? Você quer comungar com ela, tendo que fazer vista > grossa aos seus defeitos, ocasionalmente? "Atire a primeira pedra > quem nunca pecou." Ai' tem um ponto que me interessa muitissimo. Onde esta' o limite entre o que e' basal e o que esta' por cima, e que e' modificavel? E o que faz uma pessoa que gostaria de mudar (e PRECISA mudar) e que tem um basal pessimo? Temos cada vez mais pessoas com bases podres... e na minha opiniao os misticoides serios (nao confundir com os californianos) tem bastante a acrescentar sobre isso, ja' que eles sao absolutamente tarados por transformacao pessoal, e estao no jogo ha' muito tempo, desde muuuuito antes da psicanalise e da atual industria de remedios. Claro que as tecnicas deles nao servem pra todo mundo, mas eu tenho interesses pessoais envolvidos -- eu sou uma das pessoas com bases podres. Ah, e eles tambem frequentemente discutem sociedades em que as pessoas tenham mais facilidade de se transformar, saude social la' no sentido deles, etc. Pra mim e' bacana -- pode considerar como hobby se quiser. > > Não me interessa ouvir você tentar me dizer qual é o meu diagnóstico, > > não me interessa se você acha que eu estou errado. > > Vocês, misticóides, quando têm uma úlcera ou câncer __têm__ que > correr para o médico. Só aí vocês acordam. E quando surtam, a > gente administra um antipsicótico para que possa descansar a > cabeçinha num travesseiro e dormir... e a vida fica boa de novo, > as faces ficam menos agressivas... Ih, o cara, ai'. A gente ta' mais preocupado em nao ter ulcera nem cancer nem grandes problemas psicologicos, porque ai' a gente vai ter que cair na mao dos medicos que tratam a gente feito umas maquininhas com defeito, e a gente nao gosta (e a gente conserta de um defeito e logo aparece outro depois). Quanto a voces, voces tem mais ulcera, cancer e doenca do coracao do que nos, e ainda tem casamentos piores e viram alcoolatras. (Claro que eu nao vou delimitar muito precisamente quem cabe no meu "nos" e quem sao o "voces", tou so' pentelhando mesmo, sem querer comecar uma guerra de estatisticas). > > ta' sem graca isso, sera' > > É, eu também achei sem graça. > Eu não estou aqui para servir de terapeuta, nem fazer terapia do > grito primal, nem do zodiáco, do tai-chi, da homeopatia da casa do > caralho nem porra nenhuma assim. > Meus amigos não servem para que eu jogue sacos de cimento nos ombros > deles, ou para que eu me agarre em suas pernas e,em prantos, chorando > como se eu fosse uma criançinha, peça a eles que me arrastem pelo > chão junto com eles... Meus amigos nao tem funcao definida e uma das coisas que eu mais tenho horror e' daquela chantagem de crianca (que depois que eu cresci so' dois amigos tentaram fazer isso comigo) do "po^, mas tu nao e' meu amigo"? Ah, e eu nao tou aqui pra ficar sendo atingido por aquelas "brincadeirinhas de macho" que as pessoas fazem por habito. Quer dizer, nao sem revidar com as minhas brincadeiras preferidas, de baguncar o coreto de proposito, sem a menor intencao de dizer "desculpe, foi sem querer" depois... Enchi o saco de todo mundo se divertir menos eu. > Eu achei legal o eev, achei mesmo, achei legal falar contigo, mas eu > vivi longe de você por anos, sabe? Você não é fundamental na minha > vida, de maneira alguma...Tô fora de rituais sadô-masô. Valeu, alias ate' comecei a fazer o pacote deb pra ele depois da nossa conversa (em que voce me chamou de egoista:)... ele ja' passa a ser carregado pelo emacs automaticamente, mas ainda falta fazer um script que adicione duas linhas no .bashrc (ou .zshrc) e um que faca uma copia temporaria do diretorio de demos... mais noticias depois, se rolar. Quanto aos rituais sado-maso^, e', eu acho que as pessoas sao violentas mesmo e e' mais legal poder lidar com a violencia de formas estetizadas e ritualizadas, ao inves dela so' ficar transbordando pelas entrelinhas. Eu acho agressao explicita muito melhor do que brincadeirinhas grossas, e acredito piamente que a sociedade estaria muito melhor se as pessoas descarregassem a sua agressividade de jeitos mais saudaveis/honestos/lucidos/satisfatorios/etc do que os rituais usuais de grossura implicita. You are free to go, e ainda por cima eis-me aqui a tocar o seu ombro e a sua cabeca com a minha e-espada e a dizer "eu te sagro cavaleiro". Vai em paz. > Té mais, que eu tenho mais o que fazer, tenho que passar em Cálculo > II e Álgebra I. > > Sssss Boa sorte nas provas! > PS: Saber porque eu não continuei aquela discussão? Porque eu não > tenho __saco__ para ficar batendo boca sobre os __belief-systems__ das > pessoas...Ainda mais aquelas fantasias bolinhas-com-açucar. Ih, o cara, ai'. So' porque o teu belief system ta' travestido de ciencia e toda a galera da tua igrejinha acredita nele em coro, e ainda trazem as estatisticas como prova do milagre, voce acha que ele e' a "verdade" ao inves de um belief system... Joga fora a muleta e anda, Sssss; "verdade" e' chupeta. Toda nocao de verdade e' escolhida (ah, ja' que voce curtia citacoes: Sartre) e e' mais digno a gente assumir que escolheu uma e nao outra porque quis. Eu so' fui tao agressivo no mail que eu te mandei porque se fosse pra voce continuar com os seus rituaizinhos de grosseria macha cotidiana eu nao so' nao queria mais falar com voce, como tambem preferia deixar isso bem patente; acho que aquele tipo de grosseria ta' a meio passo de distancia de zilhoes de faltas de etica e de discriminacoes que geram ou o seu personagem "o morro" que vai descer e comer o cu de montes de semi-inocentes ou montes de outras minorias que nao sabem mais como engolir as suas dores e acabam vomitando de vez em quando, ou viajando cada dia num novo rotulo e numa nova maionese. Eu ainda estou procurando alguma minoria organizada em que eu me encaixe; em certas epocas eu me dou bastante bem com grupos de gays, lesbicas, bis e transexuais, mas volta e meia as pessoas desses grupos acham que a solucao pra todos os seus fantasmas e' sexo e festa, e que honestidade e intimidade sao so' umas ferramentas, velhas e intangiveis, pra atingir esses objetivos; ai' eu acabo caindo fora. Na minha opiniao (e isso e' so' uma formula de polidez, porque eu tenho certeza, muito mais do que alguem com uma logica esperneante como a sua consegue entender) o misticoide aqui e' voce. Tomara que voce nao precise de algo tao grave quanto um cancer pra perceber isso. Buenas salenas cronopio cronopio, Eduardo Ochs http://angg.twu.net/ edrx@inx.com.br %%%