[INCLUDE TH/speedbar.blogme]
[lua: L = R; LR = R
def [[ QQ 1Q body TT(Q(body)) ]]
def [[ QQQ 1Q body PRE(Q(two_d_trim(body))) ]]
def [[ U 1 body "$body" ]]
]
[htmlize [J Página sobre leis de desarmamento]
[HLIST2 Links:
[LR http://www.eklhad.net/FearItself.html]
[LR http://www.referendosim.com.br/]
[LR http://www.cocadaboa.com/]
[LR http://media.putfile.com/xaximvotasim]
[LR http://x102.putfile.com/videos/d5-28621521192.mp3]
[LR http://www.cocadaboa.com/arquivos/008618.php]
]
[P [Q Acho que o problema principal do Brasil não é nem a corrupção
nem o crime, é a burrice. E armas emburrecem. (Edrx)]]
[RULE ------------------------------------------------------------]
[QQQ
From: "Mayra"
To:
Subject: os argumentos da Mayra
Date: Thu, 13 Oct 2005 18:36:09 -0300
]
[P [Q Amigos, quanto tempo! Muito trabalho, como vocês sabem. Eu
queria ter feito esse e-mail bem antes, mas a correria não deixava
(continua brabíssimo!). Eu tenho visto, lido e ouvido muita coisa que
realmente confunde geral e não posso deixar de contribuir de alguma
forma para tornar as coisas mais claras. Sei que os spams e opiniões
sobre o referendo na internet já estão enchendo o saco, mas quero
muito que vocês leiam minha opinião pessoal, os argumentos da Mayra,
que nem sempre estão nos textos que tenho escrito como profissional a
serviço desta campanha.]]
[P [Q Sei que entre vocês há os que votam ``sim'' convictos, há os que
votam ``não'' convictos, e há os indecisos. Democracia é isso aí and I
like it!]]
[P [Q Mas confesso que sofro quando vejo que uma estratégia de
marketing relativamente bem feita está dividindo pessoas que têm os
mesmos ideais.]]
[P [Q Que pessoas que já tiveram armas e/ou ainda têm -- e gostam --
defendam seu direito de comprar mais, eu entendo. Hoje descobri lendo
O Globo que a Cora Rónai gosta de armas, já teve algumas, e até viajou
com seu revólver na cintura... Fiquei pasma, nunca pensaria isso dela,
mas tudo bem, democracia é isso.]]
[P [Q Quem se sente lesado por não poder comprar sua arminha de fogo
tão bonitinha, e depois não poder trocá-la um dia por um modelo mais
moderninho, deve mesmo votar ``não''. Apesar do risco de acidente, do
risco de num momento de muita raiva acabar usando a arma, do risco de
ao ser assaltado reagir e perder a vida em vez de bens materiais e do
risco de não reagir e perder apenas a arma para o bandido...]]
[P [Q Mas sei que a maioria dos meus amigos não tem, nunca teve nem
pensa em ter uma arma. E mais: não se sente seguro sabendo que seu
vizinho tem uma arma em casa. Mais ainda, sabem que arma não defende
ninguém, que a legítima defesa da] [U vida] [Q é deixar o ladrão
levar o que for, e cobrar da polícia, dos parlamentares e do governo
que as políticas de segurança funcionem. Afinal é o nosso governo,
eleito democraticamente e são os parlamentares que nós elegemos. Só
que muita gente que pensa assim está repetindo coisas como ``o governo
quer tirar um direito do cidadão''; o governo não consegue desarmar o
bandido e quer desarmar o cidadão'', ou ``é proibido proibir''...]]
[P [Q Peraí, gente. Eu acompanho essa história, que já tem uns seis
anos, há pelo menos dois. A primeira campanha para pressionar os
parlamentares a revisarem as leis de controle de armas foi em 1999! A
legislação brasileira era permissiva e havia mais de 70 projetos no
congresso para reformá-la, mas o lobby poderosíssimo não deixava que
nenhum passasse.]]
[P [Q Foram ONGs de diferentes estados, entidades religiosas tipo CNBB
e outros grupos sociais organizados, como parentes de vítimas de
violência (no Rio, as Mães do Rio sempre foram militantes), fora
pessoas que se engajaram pessoalmente, como Marcelo Yuca, que
organizaram marchas e atos públicos para ganhar a mídia, junto com as
pesquisas que passamos a desenvolver, que depois de quatro anos
fizeram o congresso finalmente aprovar o Estatuto do Desarmamento, que
nasceu de uma comissão que analisou os projetos já existentes e
formatou num estatuto.]]
[P [Q O assunto estava no congresso há muito tempo e só avançou por
força de pressão popular, disso que chamamos ``opinião pública''. Na
bancada da bala, tentou-se de tudo, de distribuição de dinheiro e
presentes até apresentação de dados totalmente furados, pesquisas
fraudadas, e os pesquisadores, ao lado das ONGs, tiveram que desmentir
um por um até desmoralizar todos eles. Só quando pesquisas apontavam
que 80% da população brasileira era favorável ao desarmamento, foi que
finalmente derrotamos esse lobby.]]
[P [Q Eles lutavam contra o Estatuto e todas as leis positivas
para reprimir o tráfico de armas, para aumentar as penas para
porte ilegal de armas, para desarmar o bandido e os brigões de
rua, para marcar e rastrear munições vendidas a polícias... O
tópico da proibição do comércio para civis era o que mais criava
polêmica, mas não era o único, e eles não deixavam passar de jeito
nenhum. Foi quando se propôs o referendo para que a população
decidisse que a maioria dos deputados, mesmo os contrários à
proibição, aceitaram que a saída era a mais democrática. E o lobby
perdeu. Pelo menos aquele round.]]
[P [Q Ainda assim, tentaram adiar o referendo até inviabilizá-lo e
tentaram sabotá-lo a todo custo. Finalmente, o referendo saiu e
estamos aqui. As ONGs, pesquisadores e movimentos sociais que são
antigos na luta, fazendo a campanha do sim. E os deputados
financiados historicamente pela indústria de armas -- como a
Forjas Taurus -- e de munição - como a CBC (Companhia Brasileira
de Cartuchos) -- fazendo a campanha do não. Vocês sabem quem são
eles? Pesquisem!! Jair Bolsonaro, Alberto Fraga, Luis Antônio
Fleury Filho... Saibam!]]
[P [Q Então, que fique claro: o Estatuto, o referendo, a proibição
da venda de armas, são causas que a sociedade civil colocou em
pauta e batalhou muito para emplacar. Não são imposições de
governo nenhum. Se no governo Lula há figuras que apóiam o
Estatuto, como o ministro Marcio Tomaz Bastos, por exemplo, isso é
outra questão. É questão de bom senso, eu diria, uma vez que as
pesquisas apontam, sim, para as muitas] [U vantagens] [Q da
proibição da venda de armas e munição.]]
[P Eu cito, mole, cinco:]
[P [Q (1) reduzir o número de armas de fogo em circulação ajuda no
controle destas armas. (2) evita acidentes que ferem e matam
principalmente crianças e adolescentes. (3) reduz em muito o número de
crimes cometidos por motivos como ciúme de marido machão, ódio de
sócio roubado, vingança de amante traído.... (4) diminui o índice de
suicídios, já que com uma arma de fogo à mão a chance de escapar da
morte é mínima. (5) reduz a quantidade de armas disponíveis para os
bandidos.]]
[P [Q Agora, quais são mesmo as vantagens de votar não? Impedir que o
``governo'' desarme o cidadão porque não consegue desarmar o bandido?
Nem é o governo que quer desarmar e nem é culpa do governo a falência
da segurança pública.] [U [Q É aqui que eu queria chegar.]]]
[P [Q O governo -- nenhum governo -- não consegue fazer a segurança
pública ser eficiente, a polícia ser eficaz e se moralizar, a
legislação melhorar, por causa da ação de lobbistas como esses
deputados que estão defendendo as armas na televisão e se escondem
atrás daquela atriz loura que faz pose de jornalista. É um lobby que
defende historicamente a opressão, a tortura, a impunidade de
autoridades diante de abusos de poder, as leis permissivas que
encobrem práticas ilícitas e geram sempre lucro para algum grupo que
lhes garante verba na hora da campanha eleitoral. Isso é que me dá um
misto de tristeza e raiva: esse lobby está fazendo uma campanha
nojenta, mas bem sucedida, que conseguiu confundir pessoas que estão
do mesmo lado. Estão conseguindo dividir a esquerda!!!]]
[P [Q Eles falam que a violência é produto da desigualdade social, mas
não falam que suas propostas incluem a pena de morte, que seus slogans
incluem o clássico ``bandido bom é bandido morto'', que na sua opinião
todo favelado é bandido, e que para eles os negros e pobres que mais
morrem por arma de fogo não contam, porque são bandidos!! Suas idéias
são o que há de mais conservador no cenário político nacional, desde a
ditadura, que aliás, alguns deles defendem abertamente. Gente, tenho
ido a debates. Tenho visto os defensores do não falarem sem uso de
atores anônimos. É inacreditável o tipo de coisa que dizem!! Além de
mais gente armada, se o não ganhar a gente vai ter esses trogloditas
fortalecidos...]]
[P [Q Mas enfim, se vamos apenas dizer sim ou não para uma lei que
está no Estatuto, devemos nos concentrar nisso, certo?]]
[P [Q O "não" representa apenas a manutenção de um livre comércio de
armas para civis, tanto para cidadãos que pensam que a arma poderá ser
uma proteção, quanto para os que sabem que é um instrumento de ataque
e querem ter o seu direito de usá-la quando considerarem que devem;
além dos que ganham com a revenda para criminosos, que sabemos,
existem e não são tão poucos. Em todos os casos, o ``não'' interessa,
e muito, à indústria e aos comerciantes de armas. São eles que estão
criando -- ou financiando - os slogans da campanha, tipo ``vagabundo
agradece''. Mas eles é que agradecem o uso indiscriminado de armas,
por 'mocinhos' ou 'bandidos', agradecem ao contrabando que compra a
arma aqui, manda para o Paraguai e depois volta ilegalmente com ela.
Eles ganham dinheiro com tudo isso!]]
[P [Q O que vai mudar em relação à violência com o voto "não"? Nada.
Pior, talvez mude sim, para muito pior, pois a propaganda
pró-``legítima defesa'' é a propaganda pró-armas, e muita gente já
está garantindo a sua. Cidadãos armados, descrentes das polícias, dos
governos, de tudo. Será que assim não estaremos radicalizando a
situação de barbárie? Cidadãos ordeiros com suas armas atiram nos
bandidos; ou bandidos mais rápidos no gatilho atiram antes no cidadão,
que pode estar armado...]]
[P [Q E quem está lutando por polícias melhores e políticas eficientes
de segurança? Quem briga pela educação de qualidade? Quem grita contra
a desigualdade social?]]
[P [Q Continuaremos sendo nós, que hoje nos concentramos nesta questão
tão pontual, tão mais simples do que fizeram parecer.]]
[P [Q Depois de 68, depois do tempo em que a geração de meus pais
pegou em armas, e todo o país sofreu com a dor que restou desta
experiência, estamos no tempo de lutar sem as armas. É o aprendizado
da nossa geração. Ou não é? Alguém tem dúvida? O engraçado é que do
outro lado estão - disfarçadas, mas estão lá - as mesmas ideologias
que meus pais combateram! E até as mesmas pessoas, em alguns casos!! A
guerra agora não passa por armas, passa por consciência de cidadania,
de solidariedade, de ética. A vitória do não, meu querido amigo, vai
fortalecer uma gente que desconhece esses princípios. Eles manipulam
agora com maestria irritante os conceitos ideológicos que sempre
desprezaram. Tudo em nome de dinheiro, claro, já que hoje o
instrumento da opressão é esse.]]
[P [Q Eu realmente queria que fosse diferente. Me coloco à disposição
para tirar dúvidas -- humildemente! -- dos indecisos; para fornecer
material aos decididos pelo SIM que topem partir para a conquista de
outros votos -- é a reta final!! -- e também, ufa, me apresento para o
debate com os que continuam votando no não...]]
[P [Q Esse foi meu esforço pessoal e cidadão para falar aos meus
amigos sobre meu voto no referendo.]]
[P [Q Beijos, saudades, e até um chope, que seja breve!]]
[P Mayra]
[P [Q PS. Quem quiser pesquisar, conheça] [R
http://www.referendosim.com.br/]. [Q Se quiserem, tenho resposta para
TODOS os spams do não que circulam por aí, é só pedir.]]
]
[#
# Local Variables:
# coding: raw-text-unix
# modes: (fundamental-mode blogme-mode)
# End:
#]