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% (eev "cd ~/LATEX/ && Scp maira.{dvi,pdf} edrx@angg.twu.net:slow_html/LATEX/")
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% (find-xpdfpage "~/LATEX/maira.pdf")
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% (find-pspage  "~/LATEX/tmp.ps")
% (ee-cp "~/LATEX/maira.pdf" (ee-twupfile "LATEX/maira.pdf") 'over)
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% (ee-cp "~/LATEX/maira.pdf" (ee-twusfile "LATEX/maira-eng.pdf") 'over)
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\documentclass[oneside]{book}
\usepackage[latin1]{inputenc}
\usepackage{color}

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\begin{document}

% \input maira.dnt

%*
% (eedn4-51-bounded)

%Index of the slides:
%\msk
% To update the list of slides uncomment this line:
%\makelos{tmp.los}
% then rerun LaTeX on this file, and insert the contents of "tmp.los"
% below, by hand (i.e., with "insert-file"):
% (find-fline "tmp.los")
% (insert-file "tmp.los")

% (fooi "" "``" "" "''")

\def\msk{\medskip}
\def\bsk{\medskip}

\long\def\orig#1{{\color{blue}#1}}
\long\def\red#1{{\color{red}#1}}
\long\def\eng#1{{\color{red}#1}}
\long\def\eng#1{#1 \msk}

\long\def\orig#1{}
\long\def\eng#1{#1}


\orig{A dança é minha linguagem. É o que me move. Eu sou uma dessas
  pessoas que sempre se identificou com as humanidades e a literatura.
  Na casa dos meus pais sempre estive cercada de jornais, livros e
  pela musica brasileira. Sou uma dessas pessoas também que não soube
  escolher cedo que profissão abraçar. Assim, no momento em que quase
  todos da ``minha geração'' em São Paulo sonhavam por uma vaga na
  universidade pública, eu vagava de emprego em emprego, até me
  decidir pelo mesmo curso que fizera meu pai, Ciências Sociais na
  Universidade de São (USP).}

\eng{Dance is my language. It is what moves me. I am one of these
  persons who has always identified herself with Humanities and
  Literature. In my parents' house I was always surrounded by
  newspapers, books, and Brazilian music. I am also one of those who
  could not choose at the ``right'' age which career to embrace. So,
  while almost everyone in ``my generation'' studied, with dreams of
  an academic life and a post in a public university, I wandered from
  job to job... until I decided to follow the footsteps of my father,
  and to start studying Social Sciences at the University of São Paulo
  (USP). }

\orig{Foi então aos 20 anos, durante a minha graduação em Ciências
  Sociais que percebi que havia um corpo que habitava em mim. Movi-me
  em múltiplas direções em busca das minhas vias expressivas e de ação
  no mundo...capoeira, antropologia, manifestações populares,
  tecelagem, arte, educação. O que veio desde então foi uma constante,
  ainda que truncada, interrompida e múltipla busca: corpo, técnicas,
  danças. Ao lado dessas descobertas do corpo comecei a desenvolver um
  projeto de pesquisa na área da antropologia política em projetos
  vinculados à Universidade e ao Centro Brasileiro de Análise e
  Planejamento (CEBRAP) que me prepararam para seguir com um projeto
  de mestrado na área da Antropologia urbana, sob o tema da identidade
  étnica.}

\eng{Then, when I was 20, and an undergrad, I discovered that I had a
  body living in me. I drifted in multiple directions, looking for
  paths for expression and ways to act on the world... capoeira,
  anthropology, folk dances, weaving, fine arts, education. What
  sprouted from that was a steady, even if sometimes fragmented and
  truncated, search --- for a body, techniques, dances. And in
  parallel with that I started a research project, in Political
  Anthropology, at USP and at the Brazilian Center for Analysis and
  Planning (CEBRAP), which prepared me for my MsC in Urban
  Anthropology, on Ethnic Identity.}

\orig{Venho de um pais onde as oportunidades não abundam e os sonhos
  ainda que possíveis, dificilmente serão concretizados. Somos
  diariamente contaminados por um ambiente de pessimismo, imobilismo e
  resignação. Ainda assim, continuamos a sonhar como a vida, a nossa
  vida, poderia ser diferente. A minha ``geração'' está a passar dos
  trinta e, obviamente a fazer contas. A perguntar o que fez da
  juventude e onde estão os sonhos. E todos falam de projetos que
  querem preparar, mas que nunca serão concretizados. E todos suspiram
  por Londres, Berlim Paris ou Nova York como, cem anos atrás, as três
  irmãs de Tchecov suspiravam por Moscou.}

\eng{I come from a country where we do not have plenty of
  opportunities, and where dreams, even when possible, rarely become
  true. Every day we are contaminated by the pessimism, imobilism and
  resignation from almost everyone around us. Even so, we continue to
  dream with how life, or our lives, could be different. My
  ``generation'' is older than 30 now, and we are trying to assess
  what happened, asking what we have done with our youth, and where
  are our dreams. Everyone talks about projects that we would like to
  take forward, but that never would be finished. And everyone longs
  for London, Berlin, Paris or New York, as one hundred of years ago
  Tchekov's ``three sisters'' longed for Moscow.}

\orig{Falar em geração é uma abstração que não comporta a diversidade,
  não tenho falado aqui daqueles que não tiveram hipótese de fazer
  escolhas, mas é sobre a minha ``geração `` que falo agora: urbana de
  classe média, qualificada. Uma geração inquieta e ansiosa,
  individualista e consumista. Uma geração que sonhou muito, mas
  concretiza pouco. Uma geração bloqueada. Uma geração que digere
  agora a contradição entre o que sonhou ser e o que realmente é. Uma
  geração que pergunta agora o que fazer a todos os sonhos.}

\eng{To talk about a ``generation'' is to ignore diversity. I somehow
  avoided here mentioning those of my age and my city who had no
  choices available; those who I am referring to as ``my generation''
  are urban, middle-class, qualified, restless, individualist,
  consumerist. A generation who dreams a lot, but concretizes little.
  A generation who is only now realizing the contradictions between
  what it dreamed to be and what it really is. A generation who is now
  asking what to do with all those dreams.}


\msk

\orig{Foram 14 anos de caminho até aqui, no qual perdi meu pai,
  escrevi uma tese, fui até a África e a China. Os meus estudos
  desenvolvidos com a antropologia, o movimento musical Manguebeat,
  que surgiu no Brasil nos anos 90, a descoberta dos trabalhos do
  bailarino e coreógrafo Klauss Vianna, com o seu método próprio de
  consciência corporal na dança, Laban e Pina Bausch, constituíram
  para mim referencias chaves para que eu iniciasse um pensamento
  sobre o corpo, a construção da cena, a análise de movimentos.}

\eng{It's been 14 years in the path towards here, in which I lost my
  father, wrote a thesis, went to Africa and China. My studies in
  Anthropology, my contact with the ``Manguebeat'' (a musical movement
  which started in the Brazilian Northeast in the 90's) and with the
  works and methods of Klauss Vianna, Laban and Pina Bausch,
  constituted key references to me as I developed a way of thinking
  about the body, the scene, and the analysis of the movement.}

\orig{O meu propósito é a necessidade de expressão e a necessidade de
  mover, minha linguagem é a dança e considero importante o diálogo
  entre a teoria e a prática. Os interesses são vários. Do geral ao
  particular eu apontaria: a criação da dança contemporânea e a
  performance nos espaços públicos, bem como em galerias de artes e na
  caixa preta do teatro. Práticas de investigação espacial, algumas
  delas com inspiração situacionista, como a teoria da deriva. A
  realização de processos criativos e processos colaborativos (solo e
  em grupo). A pesquisa por estados sensório-psíquicos que
  possibilitem um corpo em estado presente-vivo e um corpo mais
  significante, menos significado. A presença e a relação com objetos;
  ocupação no espaço e no tempo; a relação silêncio e musicalidades. A
  construção do gestual na relação com textos e deslocamentos. E a
  construção de vídeos-dança.}

\eng{My intent is to work on the {\sl need for expressing} and the
  {\sl need for moving}. My language is dance, and I consider very
  important the interplay between theory and practice. My interests
  are manifold; going from general to particular, I'd point: creation
  of contemporary dance, and performance in public spaces, art
  galleries, and on stage; practices for spatial investigation, for
  example the Situationist ``dérive''; creative processes, solo and in
  groups, and collaborative processes; sensory and psychic states that
  lead to enhanced presence, in which the {\sl signifier} takes
  precedence over the {\sl signified}, especially when relating with
  objects; ways of using the space and time; silence and musicality;
  the gestural and the textual; video-dance.}

\orig{Tenho como interesse também questionar o entendimento de que
  seja a obra de dança. Sobretudo a dança, porque ela existe somente
  enquanto um corpo a realiza, a questão do que permanece e do que é
  impermanente ganha contornos muito determinantes.}

\eng{I am also especially interested in questioning our understanding
  of what can be a work of performance dance. In dance, which is
  something that only exists while it is being performed by a dancer,
  the question of what is left with the spectators when the piece is
  over is vital.}

\orig{A minha motivação é resultado da pluralidade de técnicas e de
  abordagens somáticas e de dança; a multi-interdisciplinaridade de
  conhecimentos que carrego na minha corporalidade e que o curso
  parece propor. Considero o programa como um espaço para que o aluno
  se coloque como agente e como artista. Motiva-me a seguir os fios
  condutores: as articulações da arte e da dança contemporânea
  enquanto um lugar de multiplicidade de técnicas e de conhecimentos.
  O processo de aprendizado através da apropriação, da autonomia, da
  imbricação teoria e prática e da pesquisa.}

\eng{My motivations are the result of a plurality of somatic
  approaches to dance; a multi-interdisciplinarity, several knowledges
  that I carry in me, and which the course seems to propose. I see the
  program as preparing a space in which the student can act as an
  agent and an artist, and follow the leading threads: int it art and
  contemporary dance are venue for a multiplicity of techniques and
  knowledges. There is a learning process, that passes through
  appropriation, autonomy, and joins theory, practice, and research.}

\orig{Tenho como objetivo a criação. Eu não tenho medo de ir ao
  ``quarto escuro'' e dessa forma poder experimentar os interesses
  citados acima e poder ter mais base para desenvolver uma identidade
  nas minhas criações, poder dar forma a idéias e temas, dar forma a
  sensibilidade, sensações, intuições, ao imaginário, ao poético, que
  eu desejo comunicar. Quero chegar a um corpo-movimento que também
  seja uma ``expressão conseguida'': como?}

\eng{My aim is {\sl creation}. I am not afraid of going to the
  ``darkroom'', to develop the interests listed above, and to work on
  giving clear form to an identity in my creations, shaping ideas and
  themes, sensibility, sensations, intutions, imaginary and poetic,
  that I'd like to communicate. I want to reach a movement-body that
  is also an ``attained expression''. But how?}

\orig{Tenho como objetivo também, por meio da criação complementar a minha
bagagem como professora, performer e pesquisadora. Pensar a dança para
todos os corpos e classes sociais. Como aprendi com o Alito Alessi,
criador do método danceability, como unir pessoas e não separá-las.
Vale registrar o meu interesse também pela a dança inclusiva.}

\eng{I have also been a teacher, a performer, and a researcher. As I
  learned with Alito Alessi, the creator of ``Danceability'', dance
  can unite people; I am interested in ``inclusive dance'', and how it
  can bring together people with very different bodies, and from very
  different social classes.}

\orig{A vinda para Alemanha em 2009 foi movida pela necessidade de
  encontrar os sonhos esquecidos e sair das minhas fronteiras não só
  territoriais, mas também artísticas. Quando conheci os programas do
  HZT me interessei de imediato, mas precisava de um tempo para me
  orientar, experimentar a cidade e a língua alemã. Assim após um ano
  de experimentações, sobretudo, em pequenas apresentações, workshops
  e aulas abertas produzidos no estúdio Laborgras (Arthur Stäldi e
  Renate Graziadei), observo que chega o momento de um novo rumo. Além
  do mais, a universidade para mim constitui-se como lócus de produção
  de conhecimento, pesquisa e extensão. Foi e continua sendo
  fundamental na minha trajetória.}

\eng{I came to Germany in 2009 moved by my need to find those
  forgotten dreams, and to leave my frontiers --- that were not only
  physical, but also artistic ones. When I found the HZT programs I
  got immediately interested, but I needed a time to orient myself,
  and to experience the city and the German language. So, after one
  year of experiments, of mainly small performances in small places,
  workshops, and open classes in the Laborgras studio (Arthur Stäldi e
  Renate Graziadei), it comes the moment for a new direction. And,
  besides, the University has always been the locus of construction of
  knowledge, research and outreach; it has been essential in my path,
  and it continues to be.}

\orig{No meu caso voltar a universidade não seria começar do zero,
  porque, a meu ver na arte não existe começar do zero. Nesse sentido,
  vejo sim a possibilidade de iniciar novos sonhos e caminhos,
  revisitar, aprofundar e continuar outros. Pretendo aproveitar a
  oportunidade para desenvolver uma identidade (autoral) por meio de
  pesquisas e criações, e por fim, ressaltar a pertinência da
  investigação em arte; sobretudo, a partir da interlocução com outros
  pesquisadores e artistas, atuantes em diferentes contextos.}

\eng{Returning to the University would not be for me to restart from
  scratch --- I believe that in art there is no restarting from
  scratch. I see, instead, the possibility of starting new dreams and
  new paths, and revisiting, deepening and continuing others. I intend
  to use this opportunity to develop an (authoral) identity through
  artistic research and creations, and, through the contact with other
  researchers and artists, working in several different contexts, to
  clarify the role of {\sl investigation} in what I do --- to learn
  how to do it more solidly, more consistently, and in a more {\sl
    contagious} way.}


\bsk
\bsk
\hrule
\bsk


Reação ao texto``Doing Art Politically: What does this means?''

(Thomas Hirschhorn, 2008) 

Maíra Santos

\msk

\orig{Thomas Hirschhorn é um artista que responde ao mundo por meio de
  suas obras. No entanto, sua intenção é ir além das convenções
  sociais, religiosas e culturais, das análises e das teorias. Nessa
  busca ele protesta. No seu trabalho, no qual utiliza-se da técnica
  da colagem, transbordam questões sobre os problemas do mundo, que
  vão a matança de animais e pessoas, à coisificação e alienação. Esse
  artista também é conhecido por suas grandes instalações, o uso de
  espaços alternativos para mostrar suas obras, o jogo entre a
  arquitetura e a escultura, o micro e o macro, a arte e a não arte.}

\eng{Thomas Hirschhorn is an artist who uses his art to answer to the
  world. However, he goes beyond social, religious and cultural
  conventions, beyond analyses and theories. His work, in which he
  uses techniques from collage, is overflowing with questions about
  the world's problems, from the slaughtering of animals and people to
  alienation and objectification. He is also known by his huge
  installations, the use of alternative venues to present his works,
  the interplay between architecture and sculpture, micro and macro,
  art and non-art.}

\orig{``Doing Art Politically: What does this means?'' é uma resposta
  do artista sobre a política e a poética contida em sua obra. Quer
  deixar claro o que entende sobre as relações entre arte e política.
  Dessa forma, quando pontua a diferença entre ``doing art
  politically'' e ``making polical art'', ele está refutando a idéia
  da arte política como propaganda, dos particularismos em favor do
  universal, a inclusão no lugar da exclusão, a busca por propostas
  democráticas ao conceber e difundir seus trabalhos. Seu objetivo é
  voltar-se a uma arte política construída por detrás das convenções
  políticas.}

\eng{``Doing Art Politically: What does this means?'' is his answer
  about the politics and the poetics of his work. He wants to make
  clear his understanding about the relationship between art and
  politics. He analyzes the difference between ``doing art
  politically'' and ``making polical art'', refuting the ideas of
  political art as propaganda, of using the particular pretending that
  it is universal, of showing inclusion in place of exclusion, and of
  using democratic proposals to conceive and bring out art works. His
  aim is to (re)turn to a political art built behind polical
  conventions.}

\orig{Seu horizonte é a esfera das relações humanas nesse mundo
  precário. Em sua obra é possível ver o novo paradigma da arte
  contemporânea dos anos 90, traçados nos anos 60, mas as questões são
  outras. Não mais sobre a urgência da quebra de padrões morais,
  sociais e políticos. Ou como fora no Brasil, em que os movimentos
  artísticos tiveram um papel importante na formação do pensamento da
  esquerda, aglutinando forças políticas contrárias ao regime militar
  instalado no País. Fala-se agora de um horizonte prático e teórico
  no qual, as obras expõem as esferas das ``interações humanas'' e o
  seu contexto social, através da experiência estética. Sendo o
  processo de comunicação a ferramenta que permite unir indivíduos e
  grupos humanos\footnote{Nicolas Bourriaud, Relational Aesthétics
    (Dijon, France: Presses du Réel, 1998). Para este autor a ``arte é
    um estado de encontro''.}.}

\eng{His horizon is the sphere of human relationships in a precarious
  world. In his work it is possible to see the new paradigms of the
  contemporary art in the 90's. They were drawn in the 60's, but the
  questions have changed: the focus is no longer the urgency of
  breaking rigid moral, social and political patterns. (???) Brazil,
  where artistic movements had an important role, bringing together
  political forces that opposed the military regime that had taken
  power in the country. (???) speaks now of an horizon, practical an
  theoretical, in which the art works expose the spheres of ``human
  interactions'', and their social contexts, through the aesthetical
  experience, (???) communication process being the tool that unites
  individuals and groups\footnote{Nicolas Bourriaud, Relational
    Aesthétics (Dijon, France: Presses du Réel, 1998). For this author
    ``art is a state of togetherness''.}.}

\orig{Contudo, por mais que Hirschhorn, por meio de suas obras e
  texto, esteja denunciando e anunciando a precariedade e a
  fragilidade do ser humano, não deixa de fazer o reconhecimento de
  que o compromisso do artista é com a obra de arte e não com a
  política. Para ele não há outra possibilidade do que o total
  compromisso do artista com a sua obra de arte (artwork); uma verdade
  aplicada para todas as artes. A política, para ele, seja com ``p''
  maiúsculo ou ``p'' minúsculo, se define por algumas questões da
  ordem dos desejos e da criação sem perder de vista o espaço do
  outro. As questões também não são da ordem do ``quê''. Fazer arte
  politicamente, segundo Hirschhorn é dar forma. Sendo assim, que
  forma e que posição tomar? Essa é para ele a questão principal que o
  artista deve enfrentar.}

\eng{Hirschhorn, through his works and his text, denounces and
  announces the precariousness and the fragility of human being, yet
  he recognizes that the main responsability of the artist is toward
  his work of art, not with politics. For him these is no other
  possibility besides the total engagement of the artist with his
  artwork --- a truth that applies to all arts. Politics, to him, be
  it with a capital or a lowercase `P', is defined by questions of
  desire, and of creation without losing sight of the role of the
  other. Its questions are also not of the order of the ``what''.
  Doing art politically, according to Hirschhorn is giving form. Being
  so, which form, and which position to take? This, for him, is the
  main question that the artist must face.}

\orig{Na questão da forma ecoa para mim as considerações do filósofo
  italiano Luigi Pareyson\footnote{Luigi, Pareyson, Os Problemas da
    Estética, (São Paulo, Brasil: Martins Fontes, 2001), p. 30.} sobre
  a arte como uma ``expressão conseguida'' enquanto forma. Forma é
  ``[...] o organismo que vive por conta própria e contem tudo quanto
  deve conter [...]''. Para o filósofo, o acontecimento de criar,
  inventar, descobrir, produzir, organizar, que dá origem e lugar a
  uma obra, constitui-se num ato de formar. Desse modo, Thomas
  Hirschhorn não é mais ou menos comprometido politicamente que outros
  artistas, pois o que procura é a busca pela forma que resiste a
  fatos e que consiga tomar uma posição.}

\eng{In matters of form I am reminded of the Italian philosopher Luigi
  Pareyson\footnote{Pareyson, Luigi, {\sl Os Problemas da Estética},
    (São Paulo, Brasil: Martins Fontes, 2001), p. 30.} about the form
  of a work of art as an ``attained expression''. Form is ``[...] an
  organism that lives by its own and contains all that it has to
  contain [...]''. To that philosopher, the act of creating,
  inventing, descovering, producing, organizing, that gives origin and
  place to a work of art, is an act of giving form. In that way,
  Thomas Hirschhorn is no more nor less engaged politically than other
  artists, as what he looks for is a search for a form that would
  resist facing facts and that can take a position.}

\orig{O autor diferencia fazer arte política, do fazer arte
  politicamente. Contudo a arte e a política são esferas autônomas e
  apenas quando, alinhadas uma a outra, podemos compreender suas
  interações. Porém, a arte não possui em sua gênese a ética e a
  política. A associação entre a arte e a política parece obscurecer o
  modo de manifestação que é próprio à arte, e que a difere das demais
  produções humanas. Não dá para considerar a arte e a política como
  tendo o mesmo significado, bem como, não da para considerar que o
  público e o crítico compartilhem da mesma compreensão. O artista no
  seu texto também ao falar da arte como política acaba por deixar de
  lado outras esferas que a arte se relaciona como as esferas sociais,
  terapêuticas e etc.}

\eng{The author distinguishes {\sl making political art} from {\sl
    doing art politically}. However, art and politics are autonomous
  spheres, and only when they intersect we can understand their
  interactions. Among the components involved in the genesis or Art,
  we cannot find Ethics and Politics. The association between Art and
  Politics seems to obliterate that characteristic way of functioning
  of Art, that is different from all other human productions. We can
  not consider that Art and Politics have the same meaning, just as we
  cannot consider than the public and the critics perceive things in
  the same manner. The artist also shows that by speaking of Art as if
  it were Politics we leave out the spheres in which Art relates to
  the Social, to the therapeutic, etc.}

\orig{Hirschhorn estabelece algumas pré-condições para se fazer arte,
  esses seriam: tomar o risco, ter alegria no processo de trabalho e
  ser positivo. Para ele só sendo positivo que o artista pode criar
  algo que venha de dentro. É curioso notar nesse ponto, o seu
  discurso --- em que o artista deve ter um olhar positivo sobre a
  realidade para poder falar sobre ela. E como resultado desse
  processo, o que é de mais crítico, caótico, complexo e revelador vem
  à tona. Hirschhorn fala de uma atitude positiva para com a criação e
  o necessário distanciamento, como método para chegar ao que denomina
  o negativo: as incompreensões do nosso tempo, a morte e a destruição
  na forma de grandes espaços, materiais efêmeros e baratos como
  papéis e compensados. Tomada de posição.}

\eng{Hirschhorn establishes some pre-conditions to make Art, which
  are: taking risks, having joy in the work process, and to be
  positive. For him, only by being positive the artist can create
  something that really comes from the inside. In that point his
  discourse has something curious --- the artist has to have a
  positive look on reality to be able to talk about reality. And in
  result, what exists that is more critical, chaotic, complex and
  revealing comes to the surface. Hirschhorn talks of having a
  positive attitude towards creation, and a necessary distancing, as a
  method to reach what he calls the {\sl negative}: the
  incomprehension of our times, death and destruction --- using big
  spaces and ephemeral materials like paper and chipboard, and taking
  sides.}

\orig{Há um incomodo ao meu ver quanto a idéia de se ter
  pré-requisitos para o artista e sua obra, por mais que estes sejam a
  felicidade, ser positivo e etc. Faz-se arte porque não se há outra
  escolha. E dessa forma, arte não se constitui como uma ferramenta
  para dar resposta ao mundo, mas ela simplesmente é, não existe como
  um meio. O poeta Rainer Maria Rilke ao aconselhar o jovem que
  aspirava a ser poeta vai ao cerne: você morreria se não pudesse
  fazer a sua arte?O poeta coloca a arte como uma necessidade do ser,
  de modo que ele não faz para outro, faz para si, não havendo então
  nenhum pré-requisito nesse sentido.}

\eng{I am not totally comfortable with his idea of fixing
  pre-requisites for the artist and his work, even if those
  pre-requisites are happiness, being positive, etc. We do Art because
  there is no other choice. And, in this way, Art does not constitutes
  a tool for giving answers to the world --- it simply is, it is not a
  means for an end. The poet Rainer Maria Rilke, when giving advice to
  an aspiring young poet, went to the kernel of the matter: would you
  die if you could not make your art? The poet puts Art as a necessity
  of the being, and so it is not done for others, but for oneself ---
  and so no rigid pre-requisites can be made.}

\orig{Sinto a necessidade de apontar outras coisas importantes também
  com relação ao ponto de vista do artista, como a relação dor e arte,
  morte e criação, como um processo necessário ao processo de criar.
  Sejam essas mortes internas ou múltiplas, essas mortes revelam
  nascimentos vivenciados pelo artista no processo criativo. Sobre a
  dor, falo daquela que se transmuta em arte, falo também de uma dor
  que não precisa estar exposta, aquela que faz parte do processo
  criativo e que muitas vezes só se revela por meio da biografia do
  artista. Virginia Woolf, por exemplo, expressou sua angústia e seu
  desespero, decorrentes de fortes crises depressivas por meio da
  escrita. Positivo ou negativo João Frayze\footnote{João Pereira
    Frayze, Arte e dor. Inquietudes Entre Estética e Psicanálise, (São
    Paulo, Brasil: Ateliê Editorial, 2006) p. 268. Frayze é
    psicanalista e professor da Universidade de São Paulo, seu estudo
    abrange estética e psicanálise. Entre outras coisas aborda a
    relação arte-dor.} nos atenta que o ato poético é um ato doloroso:
  ``é a dor da solidão de quem chega ao novo sem saber bem porquê. É a
  dor intrínseca à arte''. Mas concordo quando Hirschhorn diz que ser
  positivo é não julgar no seu fazer. E ser ativo. Frida Kahlo também
  com a pintura, assim como Wirginia Woolf, nunca parou sua obra, nem
  mesmo nos momentos mais dolorosos e em que esteve presa à cama.
  Frida teve sua criação permeada pela própria dor. E assim,
  significou-a em tudo, transformou-a em cores, deu lhe nomes e
  lugares.}

\eng{I feel the need to point other important things in the artist's
  point of view, like how he sees the connections between pain and
  art, and death and creation, and being necessary to the creative
  process. No matter if these deaths are internal, or mutiple, they
  reveal births lived by the artist in his creative process. On pain,
  I refer to that that gets transmuted into art, and also of that one
  that does not need to be exposed, and that is often only revealed in
  the biography of the artist; Virginia Woolf, for example, expressed
  her anguish and her despair about her bouts of depression through
  her writing. Positive or negative, João Frayze\footnote{João Pereira
    Frayze, {\sl Arte e dor. Inquietudes Entre Estética e Psicanálise}
    (roughly: ``Art and pain: Restlessness Between Aesthetics and
    Psychoanalysis''), (São Paulo, Brasil: Ateliê Editorial, 2006) p.
    268. Frayze is a psychoanalyst and a professor at the University
    of São Paulo, and one of his themes is the relationship between
    art and pain.} points to us that the poetic act is a painful act:
  ``it is the pain of the loneliness of someone who reaches the new
  without knowing how, or why. It is the pain intrinsic to art''. But
  I agree when Hirschhorn says that to be positive is to not judge
  while doing, and to be active. Frida Kahlo, with her painting, just
  like Virginia Woolf with her writing, never stopped producing her
  work, not even in moments of great physical pain, which kept her to
  her bed. Frida's creation was permeated by her pain. And she
  transformed that pain into colors, names, and places.}

\orig{E por fim, Horschhorn define ``doing art politically'' como o
  ato de criar com coragem, sem deixar de lado a paixão, a esperança e
  o sonho. Ao meu ver o artista, além disso, pode aceitar tomar o
  risco com coragem e ser ``usuário das formas'', com liberdade, nunca
  com preocupações dogmáticas.}

\eng{Hirschhorn defines ``doing art politically'' as the act of
  creating boldly, without leaving aside passions, hopes, and dreams.
  In my view the artist, besides that, can take risks, courageously,
  and risk being a ``user of the forms'' --- with freedom, not
  dogmatically.}





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